Curte as aulas

Enseignement du Portugais au Collège et au Lycée. Matériel pédagogique. Ressources.

05 janvier 2009

Carlos Drummond de Andrade

“...Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante, vai ser diferente“. (Carlos Drummond de Andrade)


Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
                                                                                                                                                                                                                                                                                            

Carlos Drummond de Andrade

Posté par Digamela à 21:22 - Textes Collège - Commentaires [0] - Rétroliens [0] - Permalien [#]


13 mai 2008

Amália Rodriguês – Vou Dar De Beber Á Dor

Vou Dar De Beber Á Dor

 

Foi no Domingo passado que passei
à casa onde vivia a Mariquinhas,
mas 'stá tudo tão mudado
que não vi em nenhum lado
as tais janelas que tinham tabuinhas.

Do rés-do-chão ao telhado
não vi nada, nada, nada
que pudesse recordar-me a Mariquinhas,
e há um vidro pregado e azulado
onde havia as tabuinhas.

Entrei e onde era a sala agora está
à secretária um sujeito que é lingrinhas,
mas não vi colchas com barra
nem viola, nem guitarra,
nem espreitadelas furtivas das vizinhas.

O tempo cravou a garra
na alma daquela casa
onde as vezes petiscavamos sardinhas
quando em noites de guitarra e de farra
estava alegre a Mariquinhas.

As janelas tão garridas que ficavam
com cortinados de chita às pintinhas
perderam de todo a graça
porque é hoje uma vidraça
com cercadura de lata às voltinhas.

E lá p'ra dentro quem passa
hoje é p'ra ir aos penhores
entregar ao usurário umas coisinhas,
pois chega a esta desgraça toda a graça
da casa da Mariquinhas.

P'ra terem feito da casa o que fizeram
melhor fora que a mandassem p'rás alminhas,
pois ser casa de penhores
o que foi viveiro d'amores
é ideia que não cabe cá nas minhas

Recordaçoes do calor
e das saudades. O gosto
que eu vou procurar esquecer
numas ginginhas,
pois dar de beber à dor é o melhor,
já dizia a Mariquinhas.


Posté par Digamela à 13:28 - Textes Collège - Commentaires [0] - Rétroliens [0] - Permalien [#]

Manuel da Fonseca - Aldeia

Aldeia

Nove casas,
duas ruas,
ao meio das ruas
um largo,
ao meio do largo
um poço de água fria.

Tudo isto tão parado
e o céu tão baixo
que quando alguém grita para
longe
um nome familiar
se assustam pombos bravos
e acordam ecos no descampado.

aldeia

Posté par Digamela à 13:17 - Textes Collège - Commentaires [0] - Rétroliens [0] - Permalien [#]

Fernando Pessoa - Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Música de Mauricio Moreira (Nau e Os Argonautas) Trecho do espetáculo musical "Entrevista com Fernando Pessoa" Texto de Ricardo Arnaldo Malheiros Fiuza Direção de Bronislaw Anthonys Drabek e-mail:nautsetung@hotmail.com www.geocities.com/naueosargonautas

Posté par Digamela à 13:00 - Textes Collège - Commentaires [0] - Rétroliens [0] - Permalien [#]

17 octobre 2006

Canção do aniversário

 

       
 

Em Portugal

 
 

No Brasil

 
 

Parabéns   a você
  Nesta data querida
  Muitas felicidades
  Muitos anos de vida!

 

Tenha   tudo do bom
  Do que a vida contém
  Tenha muita saúde
  E amigos também

 

Hoje   é dia de festa
  Cantam as nossas almas
  Para o menino(a) " João/Fulana   "
  Uma salva de palmas!

 

(palmas)

 
 

Parabéns   pra você
  Nesta data querida
  Muitas felicidades
  Muitos anos de vida!
  Você hoje completa mais um ano de   idade!
  Parabéns pra você
  Muitas felicidades 
(repete)

 

(alguém grita) E para o(a)   "João/Fulana", naaaaaaaadaaaa?
  (todos gritam) Tuuuuuuuuuuuuudooooo!
  (alguém grita) Então como é que é?
 
(todos gritam)
  É pique! É pique! É pique, é pique,   é pique!
  É hora! É hora! É hora, é hora, é   hora!
  Rá-tim-bum!
  " João/Fulana "! "   João/Fulana "! " João/Fulana "!

 

Posté par Digamela à 12:45 - Textes Collège - Commentaires [0] - Rétroliens [0] - Permalien [#]
« Accueil  1